Último fim de semana do Festival In-Edit Brasil destaca documentário sobre o hardcore dos anos 90
Filme 'Hardcore 90' resgata cena punk nacional pré-internet e é um dos destaques da reta final do festival de documentários musicais.
Os sons de uma época vão muito além da música que se ouve. São comportamento, atitude, estilo de vida. Foi isso que moveu o diretor George Ferreira a revisitar um movimento que marcou sua juventude: o punk e o hardcore brasileiros no final dos anos 1980 e início dos 1990. O resultado é Hardcore 90, documentário que integra a programação do In-Edit Brasil 2025, e que relembra, com intensidade e paixão, uma cena construída por mãos independentes e espírito coletivo.
“O que foi produzido naquele momento tinha uma energia muito forte”, afirma George. “Quando começamos a divulgar o filme, percebemos um interesse enorme, tanto de quem viveu aquela época quanto de um público novo. Foi uma surpresa.”
Codirigido por Marcelo Fonseca, o longa mergulha na cultura do “faça você mesmo” — lema do punk americano que encontrou eco em uma juventude brasileira que vivia antes da internet. Em várias cidades do país, jovens se conectavam via cartas, fanzines e fitas demo, criando uma rede nacional de música alternativa.
“São Paulo foi o epicentro, mas cada cidade tinha sua aglomeração, com pessoas desenvolvendo projetos”, lembra George.
Fanzines, cartas e shows em qualquer canto
Com depoimentos e imagens raras, o documentário mostra como bandas ocupavam qualquer espaço — de bares a salões de cabeleireiro — e como os fanzines desempenhavam um papel central nessa cena. Eram feitos em casa, com tesoura, cola, papel sulfite e paixão.
“Era uma necessidade de se expressar”, define Guilherme Pimentel, jornalista que participou da cena e hoje ajuda a contextualizá-la para novas gerações.
Últimos dias do festival
Hardcore 90 é um dos 64 filmes que fazem parte da 17ª edição do In-Edit Brasil, festival internacional dedicado exclusivamente a documentários musicais. Mas quem quiser mergulhar nessa seleção precisa se apressar: este é o último fim de semana da mostra.
A programação deste ano percorre os mais variados gêneros e épocas: há títulos sobre o flamenco espanhol, o hip hop, o rock goiano, as trilhas do cinema e nomes como Cazuza, Hyldon e Baden Powell.
“A música ajuda a contar a história do país”, diz Marcelo Aliche, diretor artístico do festival. “Quando colocamos um grande artista na tela, trazemos junto um contexto social, político e cultural.”
A abertura do festival, por exemplo, foi com Anos 90: A Explosão do Pagode, que revisita o fenômeno que levou o samba romântico dos anos 1990 ao estrelato da música pop.
Com uma produção nacional em alta e cada vez mais interessada em resgatar narrativas musicais, o In-Edit se firma como vitrine de uma memória que ainda pulsa — especialmente quando se trata de cenas como a do hardcore dos anos 90, que hoje ganham o olhar do tempo.
Para conferir a programação completa e os locais de exibição, acesse: br.in-edit.org
